SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

quarta-feira, 8 de abril de 2009

AMOR NOS TEMPOS DE CÓLICA

Num dia aí em que eu estava bem disposta, satisfeita e conformada com a minha rotina monótona de arrumar meu lar; grãos de pensamentos pipocavam em minha fervilhante cabecinha de vapor c'alma.

Os grãos foram regados pela água da reflexão e cresceram até virarem flores e dar frutos.
Estava floreando sobre o meu “Medo de amar sem nº ”. Na verdade, constatava acerca do paradoxo que há entre os homens. Há uma cerca, um Muro de Berlim, dividindo visões deles a respeito delas – e minhas(com ou sem respeito) deles...

Para a pipoca não passar do ponto:
Os homens pintados por Shakespeare e rabiscados por demais romancistas pintavam a mulher como um ser demasiadamente encantador(A citar a Desdêmona angelical), por isso sentiam-se inseguros e muitas vezes terminaram fazendo loucuras cegas (Pobre Otelo); a mulher passara a ser um sonho inatingível e, se conquistada, a sua perda era temida, mortificada.

De extremo assim cedeu lugar ao extremo assado.

Da semente da sensibilidade à gestação do machismo, as mulheres voltaram a ser coisificadas (como fora antes na Antiguidade Clássica, na Era medieval machista católica, no Oriente, enfim), meros instrumentos de prazer ou sequer isso, escravas do lar sem nenhum reconhecimento( Que angustiante!), o romantismo tinha parado para o tempo passar.

Contemporaneamente, a mulher voltou a ser decantada nas songs de Tom Jobim e Vinícius de Morais(Quem não quer ser a garota de Ipanema cheia de graça?), de Chico Buarque (Essa moça: tá diferente... tá me passando pra trás) ou de Frank Sinatra (o arrepiante I've got you under my skin)...

Suponho que para exteriorizar tais ideias, os autores deveriam ser ou conhecer ou ter observado perfis semelhantes durante a criação de personagens. Mas o que mais me deixa confusa é
a não-correspondência ou as divergências dentre os homens que ME cercam.

Como toda boa cria, fui domada com conselhos familiares típicos: “Você é a minha princesinha, você merece um príncipe que venha te tirar de casa para levar você para um castelo”,daí deve ter surgido o meu senso de seletividade, enquanto vós, machos machos men, foram recomendados com tapões nas costas: “Este é meu filho garanhão!”, daí o aviso “Prendam suas cabritas que meus lobos estão soltos”. Isto é, invenções humanas, cultura, por favor não criem justificativas científicas, desmistifiquem a não-erroneidade da ciência(lembrem do cientificismo nazista) porque não é que a mulher é naturalmente mais emocional que o homem e é inerente deste último a racionalidade, tudo não passa de cultura, criação.

Esclarecido isto posso adentrar na minha opção.

Devido à minha formação cultural, óbvio que eu escolheria um homem que não precisasse ser um príncipe idealizado, bastaria gostar de mim e demonstrar isso já que eu não suporto frieza(essa tática de jogar sementinha e cair fora na esperança que eu vá sentir falta não funciona comigo, eu fico triste e desisto- mas um dia eu ainda vou fazer igual à música Ralador que diz assim:
“ Pra dor de amor eu não faço sala
Amor me deixa
Outro amor me embala [...]
Porque um amor quando me deixa senhor
Tem outro em ponto de bala
Ah Danada!”)

Mas como muito deprimente para mim
Até agora não emergiu ninguém assim

Por isso, eu tenho adotado uma postura “racional”. É como se eu só me permitisse gostar de alguém se eu tiver certeza absoluta que esse certo alguém já está derretidíssimo por mim. Nas últimas vezes que eu me relacionei com uns caras, eu fiz isso e o saldo foi positivo na minha opinião. Não que eles tivessem derretidíssimos, mas eu evitava pensar neles ou suspirar pelos cantos, inventava 1001 formas de manter a minha auto-confiança, o bom da história é que tudo ficou como era pra ficar e eu nem sofri porque não tinha me apegado.

Mas também não senti nada.
E qual a graça em não sentir? Nada!
A minha contradição é que eu gostaria bastante de “saltar de cabeça no mar do amor(=P)”, não ter que ficar me controlando porque isso limita e tira a espontaneidade.

Já passei por um cara que queria ser “ o dominador” (na minha visão era O exterminador) e eu, inexperiente e submissa, fazia de tudo pra que ele não achasse que eu gostava dele...Puff...Essa época foi terrível, faz de conta mal contado.

Alguns podem dizer que é bom sofrer, que nas crises é que você se destrói ou se fortifica, porém eu não sou masoquista, “aprendi”.Não me sinto bem sofrendo, substituir o encantador por um “eu canto a dor” não é legal, então mais como uma precaução contra esses ratos que infestam o mundo que o exercício pleno da minha vontade é que eu agi, ou ainda ajo, assim.

Contudo, eu quero mudança!
Por essas andanças da vida, entre encontros e despedidas, chegadas e partidas encontrarei gente de todo tipo, espero eu, românticos e sarradores, uns merecerão me conhecer verdadeiramente, outros não. Minhas atitudes dependerão de cada coração. Ponto final.

Não quero mais ter medo de me apegar.
De novo.
APRECIEM SEM MODERAÇÃO!