Resolvi traçar esta breve blogada somente pra justificar possíveis e erradas interpretações a respeito dos rabiscos aqui presentes.
Quando eu decidi criar meus blogs, não foi uma coisa tipo: “Pronto, criei. Que faço agora?”, mas porque desde antes de o re-cheio de mim sair do ovo, eu costumava brincar com as palavras. Como eu já tava quase que com uma coletânea, decidi “criar meu website/fazer meu homepage/(descobrir)com quantos gigabytes se faz uma jangada/um barco que veleje”...
E assim, aqui estou eu, pintando o sete!
Não retratando necessariamente acontecimentos do meu cotidiano, mas contos mundânus. Sejam ele concebidos agora ou a long time ago, mas só recentemente postados. Posto também as minhas brincadeiras nerds com jogos de palavras e sentidos. O post que diz que o eu - lírico é sedentário por não namorar, por exemplo. Quem disse que a =DDAY é o eu-lírico? Eu também não disse. Ele surgiu simplesmente por acaso e -a título de esclarecimentos, numa época em que eu estava “muito bem, obrigada” nesse aspecto pessoal. Eu poderia ter mudado o pronome (trocado meu por teu, sei lá), mas enfim... Talvez até quisesse mesmo adicionar essa dúvida no leitor, adoro textículos que penso “será que foi feito pra mim?”, “será que ele quer que eu saiba disso?” instiga a minha curiosidade (inclusive a minha mãe sempre diz que um dia eu morro por causa dela (curiosidade)- Ops! haha.
Entonces, não fiquem sentidos se a imagem que passo aqui for de uma enloucrescente desesperada ou deprimidamente depressiva ou mal-amada ou sofrida ou de coitadinha ou “nunca imaginei que você passasse por essas crises existenciais” ou algo do tipo.
Pois muitas vezes o que escrevo não aconteceu comigo, claro que há momentos inspiradores (que me inspiram a escrever possíveis dores, desabafos que não aguento “vomitar pelos ouvidos”, preciso de um ungüento: o blog), mas fazendo minhas as palavras de Guimarães Rosa quando ele diz que não precisa conhecer o sertão pra escrevê-lo, para um escritor, basta imaginá-lo( parecida também é a opinião de Chico Buarque a respeito se ele vivenciou sobre o que já versou).
Eu finalizo por aqui, com esta conversa – ou com prosa-, lembrando:
Isto não é um diário de confissões de uma adolescente.
É mais de confusões!Haha!
=DDDDDDDDDDDDDDDDDDDAY
Esta é a caixa de biscoitos sortidos. A coleção de reflexões desconectadas e personalizadas. Quando o meu saco fica cheio é aqui que ele poca. A panela tampada em que eu fico popcorneando. A minha própria válvula de escape, típica de panelas de pressão. Nada de impressionante, se houver, deve ser impressão sua.
SOLTANDO O VERBO
Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar
terça-feira, 9 de junho de 2009
sexta-feira, 5 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Porque um conto não vale nem um conto do que realmente acontece
Saiu de casa, bem dormida, bem alimentada – nutrida de refeição e de energia.
Energia das calorias do alimento e energia que o despertar de um sono revitalizador traz consigo: dando tanta vida à vida, que esta consegue se sobrepor às possíveis dores; energia que se manifesta através da boa disposição.
Boa disposição do corpo e do espírito.
O estado -de– espírito está disposto sob forma de um prisma refletor das cores componentes do arco-íris, parece até que realmente viu um arco-íris! É o estado – de – divina graça, até os menos supersticiosos diriam que ela “acordou com o pé direito”, a moleca estava em estupenda harmonia. As armas atiradoras das balas semanais? Tirou de letra! E com estas letras rabiscou (na testa – bem tipo, “tá na cara”) a palavra: S-A-T- I-S-F-A-Ç-Ã-O
Afinal, ela teve razão para isso. Pois fim aos compridos, trabalhosos, exaustivos deveres e agora só restou o dever cumprido.
Prosseguindo, a gracinha segue seu caminho, não em direção à luz no fim do túnel, porque há luz por todo lado (o sol estava confortavelmente radiante, os raios tocavam-na transmitindo uma sensação acolhedora que “tomava conta do ar” – isto exponenciou o bom humor dela), mas em direção à luz da razão, rumava para a faculdade.
Depois de uma aula descontraída – não no sentido de divertida, mas de ter sido elástica por ter promovido uma abertura de visão- ela refaz o caminho, agora de volta, está indo de volta pra casa (pense em Relicário, de Nando Reis e Cássia Eller) ou caminho de volta pro ninho.
O caminhão, estacionado na parte oposta da calçada em que a passarinha passava, escondia um pardal – desses de rua- que estava se beneficiando da sombra do caminhão, era uma relação harmônica, comensalismo talvez, enfim: aquela relação entre a rêmora e o tubarão em que o último permanece indiferente e o outro se beneficia. O pardal cantarolou um sorriso, que pra algumas araras seria motivo de revolta (porque o cantor era um pardal), mas pra passarinha soou feito o canto do bem-te-vi, isto a admirou, ela estaria mudando - menos pena, mais pele- e sentiu-se ainda mais encantada porque deixou o mundo mais feliz (bem como a propaganda do Boticário que, por meio de uma manipulação inconsciente, manda a pessoa espalhar a beleza por aí para deixar o mundo mais feliz – que coisa tosca!).
Ao adentrar o prédio, ela exclamou um “Bom dia!” para o porteiro, para o zelador, para a babá do bebê que ela brincara, para uma vizinha que “elogiava o brinco da interlocutora da ligação telefônica sem ao menos vê-lo”, ou seja, puxava o saco- notavelmente- da receptora da mensagem (bem ao estilo do José Dias, o agregado da família do D. Casmurro); para uma moradora meio abusada (a menina preferiu imaginar que ela deveria estar com algum problema), para o cara do lado dela (marido? filho?) que não devolve o cumprimento com a mesma empolgação, para a adolescente narcisista do elevador que preferiu ficar estourando espinhas sebosas de fronte ao espelho...
Faltou fôlego pra garota quando, abruptamente, abriu a porta de casa e deu de cara com...
A bagunça. Então ela decidiu se mobilizar e limpar os móveis e o apê como um todo. Até que ela chegou no “escritório” abafado, puxou a persiana e se decepcionou.
Toda a satisfação se esvaiu, em elevadíssima velocidade de difusão, ela não estava mais “cheia de gás”, optou por deixar a bagunça de lado (assim como uma mulher optou por escutar os ensinamentos de Jesus, enquanto a irmã –Marta, acho- custava a arrumar a casa), pois logo abaixo do seu nariz um bando de irmãozinhos, seres humanos, montava uma carroça, esta puxada por um grande irmão, todos envoltos naquilo que ninguém se importa: lixo, e todos juntos se sentiam um lixo, eles não importam para a maioria –eles não são dinheiro- o sonho deles é que as pessoas os vejam como dinheiro, pra ver se tentam resgatá-los como o fazem com “dinheiro jogado fora”; catavam lixo, desesperados, aspiravam chorume feito fishes fora d’água aspiram pelo oxigênio vital. E ainda tem gente que perde tempo assistindo ao Big Brother.
Em meio a essa inversão de valores e de papeis na biosfera, a menina se perguntou como, momentos antes, pôde estar tão feliz e suddenly a situação se inverteu.
Mas ela não quer mais conseguir ser feliz convivendo com tantas injustiças, ela quer pôr cada coisa no seu lugar, e não tá falando da natureza morta dos objetos de casa; em meio a esse upside-down, a menina insiste agora em fazer um texto. Um texto que conte, ao menos um sexto, do que ela viu e não quis fingir que não viu.
Porque ela não quer que a pobreza faça parte da paisagem.
Energia das calorias do alimento e energia que o despertar de um sono revitalizador traz consigo: dando tanta vida à vida, que esta consegue se sobrepor às possíveis dores; energia que se manifesta através da boa disposição.
Boa disposição do corpo e do espírito.
O estado -de– espírito está disposto sob forma de um prisma refletor das cores componentes do arco-íris, parece até que realmente viu um arco-íris! É o estado – de – divina graça, até os menos supersticiosos diriam que ela “acordou com o pé direito”, a moleca estava em estupenda harmonia. As armas atiradoras das balas semanais? Tirou de letra! E com estas letras rabiscou (na testa – bem tipo, “tá na cara”) a palavra: S-A-T- I-S-F-A-Ç-Ã-O
Afinal, ela teve razão para isso. Pois fim aos compridos, trabalhosos, exaustivos deveres e agora só restou o dever cumprido.
Prosseguindo, a gracinha segue seu caminho, não em direção à luz no fim do túnel, porque há luz por todo lado (o sol estava confortavelmente radiante, os raios tocavam-na transmitindo uma sensação acolhedora que “tomava conta do ar” – isto exponenciou o bom humor dela), mas em direção à luz da razão, rumava para a faculdade.
Depois de uma aula descontraída – não no sentido de divertida, mas de ter sido elástica por ter promovido uma abertura de visão- ela refaz o caminho, agora de volta, está indo de volta pra casa (pense em Relicário, de Nando Reis e Cássia Eller) ou caminho de volta pro ninho.
O caminhão, estacionado na parte oposta da calçada em que a passarinha passava, escondia um pardal – desses de rua- que estava se beneficiando da sombra do caminhão, era uma relação harmônica, comensalismo talvez, enfim: aquela relação entre a rêmora e o tubarão em que o último permanece indiferente e o outro se beneficia. O pardal cantarolou um sorriso, que pra algumas araras seria motivo de revolta (porque o cantor era um pardal), mas pra passarinha soou feito o canto do bem-te-vi, isto a admirou, ela estaria mudando - menos pena, mais pele- e sentiu-se ainda mais encantada porque deixou o mundo mais feliz (bem como a propaganda do Boticário que, por meio de uma manipulação inconsciente, manda a pessoa espalhar a beleza por aí para deixar o mundo mais feliz – que coisa tosca!).
Ao adentrar o prédio, ela exclamou um “Bom dia!” para o porteiro, para o zelador, para a babá do bebê que ela brincara, para uma vizinha que “elogiava o brinco da interlocutora da ligação telefônica sem ao menos vê-lo”, ou seja, puxava o saco- notavelmente- da receptora da mensagem (bem ao estilo do José Dias, o agregado da família do D. Casmurro); para uma moradora meio abusada (a menina preferiu imaginar que ela deveria estar com algum problema), para o cara do lado dela (marido? filho?) que não devolve o cumprimento com a mesma empolgação, para a adolescente narcisista do elevador que preferiu ficar estourando espinhas sebosas de fronte ao espelho...
Faltou fôlego pra garota quando, abruptamente, abriu a porta de casa e deu de cara com...
A bagunça. Então ela decidiu se mobilizar e limpar os móveis e o apê como um todo. Até que ela chegou no “escritório” abafado, puxou a persiana e se decepcionou.
Toda a satisfação se esvaiu, em elevadíssima velocidade de difusão, ela não estava mais “cheia de gás”, optou por deixar a bagunça de lado (assim como uma mulher optou por escutar os ensinamentos de Jesus, enquanto a irmã –Marta, acho- custava a arrumar a casa), pois logo abaixo do seu nariz um bando de irmãozinhos, seres humanos, montava uma carroça, esta puxada por um grande irmão, todos envoltos naquilo que ninguém se importa: lixo, e todos juntos se sentiam um lixo, eles não importam para a maioria –eles não são dinheiro- o sonho deles é que as pessoas os vejam como dinheiro, pra ver se tentam resgatá-los como o fazem com “dinheiro jogado fora”; catavam lixo, desesperados, aspiravam chorume feito fishes fora d’água aspiram pelo oxigênio vital. E ainda tem gente que perde tempo assistindo ao Big Brother.
Em meio a essa inversão de valores e de papeis na biosfera, a menina se perguntou como, momentos antes, pôde estar tão feliz e suddenly a situação se inverteu.
Mas ela não quer mais conseguir ser feliz convivendo com tantas injustiças, ela quer pôr cada coisa no seu lugar, e não tá falando da natureza morta dos objetos de casa; em meio a esse upside-down, a menina insiste agora em fazer um texto. Um texto que conte, ao menos um sexto, do que ela viu e não quis fingir que não viu.
Porque ela não quer que a pobreza faça parte da paisagem.
Assinar:
Comentários (Atom)
APRECIEM SEM MODERAÇÃO!