SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Monte Manhosa


-Como você agüenta ficar tanto tempo aqui? Parada. Estátua. Tem tanta gente ao redor!
-Eu não tô sem fazer nada.
-Ah não? Então tá fazendo o quê?
-Tô esperando a neblina se dissipar.
...
-Pra quê? – ele decidiu fazer o jogo dela.
-Talvez assim passe o medo e ela decida vir até a mim.
-Ela quem?
-Aquela montanha.Senta aqui do meu lado- batidinhas no chão- Já já ela vem com um monte de amigos. Se você tiver sorte, posso te apresentar o Monte de novidades, o Monte de coisas em comum, O Monte de visões de mundo – alguns chamam esse de Himalaia- E por que não, já que a gente tá numa cidade de interior, o Monte de feliCIDADES?
-Hum... E quando você for me apresentar à cadeia montanhosa... Vai me chamar como?
-Ah, é fácil, pra mim você é o “Pico da Neblina”.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Cultrash I


Tem sempre um clichê que coleciona inseto e selo
Mas até agora só vi um que usava inseto como selo

Bebês colecionam chupetas
Meninos colecionam bolas furadas
Meninas colecionam barbies
Adolescentes, vestibulares.
Filhos colecionam broncas
Mães colecionam carinho
Pais colecionam conselhos
Avós, doces mimos.
Amigos colecionam alegrias
Namorados colecionam filmes
Solteiras colecionam cantadas
Casados, fênixes.

Então, pessoal, depois que eu soube que Joaquim Nabuco daqui de Pernambuco tinha mania de usar pingos de vela para paralisar moscas no papel e, então, pô-las nas cartas endereçadas aos inimigos, aí eu parei e pensei “Poxa, eu tb tenho que colecionar alguma coisa!” E é assim que começa essa seção.
Faz um tempo eu entrei em contato com verdadeiros ressucitadores e agora resolvi compartilhá-los por aqui. São pessoas que brincam de transformar os chicletes que entram por osmose e colam no cérebro, as vergonhas alheias da música brasileira em sonoridades muito mais comestíveis, então, Vamos “lamber os beiço”?  

 Ulalá, você com essa voz, me dizendo essas coisas...
=X

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fora de ordem

Sabe quando você não se identifica mais como que você faz? Pronto, tô passando por uma fase mais ou menos assim. Mas só em relação ao blog! Eu não sei ao certo se posso chamar de "faaase", mas pelo menos hoje tenho certeza disso! Enfim, por mais que ache mais artístico e por mais que me orgulhem mais os textos reflexivos (agir e sofrer pela própria ação), pelo menos HOJE quero ter o prazer de blogar como se tivesse falando. Mas como eu não tenho o que falar ( só o que dar o que falar), vou apostar uma postada pré-aquecida:

Amanhã eu tenho que acordar cedo pra fazer o meu café e o do meu primo, ir pro francês, fazer a feira do mês, pagar algumas contas, fazer o resumo que tá faltando pra Jornada, ler o texto da apresentação de Cultura contemporânea que vai ser pra próxima semana e eu não vou ter tempo de lê-lo na próxima semana, esboçar o artigo sobre 11/09, separar um CD de temas pra ver se a minha amiga simpatiza por algum, tentar evoluir com a leitura do “Amado” Cervo, dar um jeito de ajeitar a bagunça, ir pra academia, pensar em uns slides, confirmar a reserva da hospedagem em João Pessoa, ver os horários dos ônibus, responder o caderno de espanhol, ir pra faculdade, ir pra palestra que vai ter na Unicap, será que consigo passar a limpo alguma coisa?

Bom, mas talvez amanhã eu não consiga fazer isso.

Simplesmente porque para eu fazer tudo isso amanhã eu tenho que fazer uma coisa agora:
DORMIR, CARALHO!

domingo, 18 de setembro de 2011

Pele amor de Deus


Os dias passam, os pássaros voam e vozes ressoam ao pé do ouvido. Viajo pra qualquer lugar, vejo novas paisagens, busco alguma aventura. Banco a independente, brinco de conhecer gente nova, compartilho mundos, trocadilho risadas. E Isso me faz feliz. 

As nuvens vão, a lua vem e as estrelas caem do céu. Eu estendo a mão para oportunidades e abraço ternamente tantas motivações! Abro a minha mente pra poder um dia abrir a boca e perceber ouvidos abertos. Também quero o bem-estar de fazer meus amigos – e por que não desconhecidos? – um pouquinho mais felizes. E isso me faz bem. 

Os sorrisos encontram o caminho dos lábios, os labirintos se perdem em ciladas sem-saída, porém palavras fogem pra bem longe de mim. Pois quando eu paro e ficamos a sós, nós duas, eu e eu. Aí uma delas encosta a cabeça no ombro do travesseiro, enquanto a outra sente gotas de mar percorrerem superfícies de uma mesma pele. Sequer lembra o próprio nome ou o que aconteceu...

 De repente ela esquece que os dias passam, os pássaros voam e a vida continua. O que mais quer, ela esquece. De esquecê-lo, pele esquece-se. PeleamordeDeus!

sábado, 17 de setembro de 2011

Imperativos de uma hiperativa


Eu preferiria uma metamorfose ambulante, mas o que me restou foi ser essa contradição incandescente. Ainda ontem vi borboletas quando bem-te-vi.  Agora a pouco seu canto virou rouco. O Outrora já não é o mesmo de antes. E o antes não é mais como agora.


Eras por eras, viro e revolto. Num dia revólver, pólvora em teu corpo. Noutro me acenda, Voltz feito lobo. Num instante me assuma, nem é o bastante. Mas faça o favor, suma no segundo seguinte. Se guie por si só e não segure o impulso - tenho repulsa. Agarre-me de repente e sinta uma garra indecente. E se, por um acaso, a afiada arrancar da camisa fio, eu aproveito e te desafio:


Se aproveite quando eu estiver distraída e me mostra um pouco da tua vida. Tira qualquer tensão e me diz, anônimo: contração e distração – antônimos!  Me vira do avesso e me prova o contrário, que (a)provo teu sabor. O que faço com esse desejo? Em quem vou guardar o amor?

Eu sou mesmo essa contradição ambulante. Paradoxo do pretérito imperfeito. Antítese de um futuro próximo. Mas se ainda assim queres ser meu máximo, me vira do avesso e me prova o contrário. Me faz crer que quer queira quer não - o que eu quero é o seu coração. 

Entre, linhas


Não necessariamente escrevo sobre algo que ocorreu comigo. Escrevo sobre algo que me ocorreu.



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Crédito Imaginário

No fundo do poço sempre tem uma mola

No fundo no fundo, as pessoas acreditam naquilo que mais querem acreditar.
Eu, por exemplo, no fundo do poço, escrevo porque acredito que trocadilhos possam, um dia, me trocar pelo eu-lírico...
Não é inacreditável?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mulher de chá

Ela foi re-colher pedaços de um coração partido e acabou se machucando. 
Eram cacos de vidro.



(Contexto com texto)
O anel que tu me deste
Era vidro e se quebrou,
O amor que eu te tinha era muito. 
E se acabou.

Ciranda que é ciranda não anda. Não é que ela fique parada, mas assim como o mundo dá voltas, a minha ciranda roda.
Ela é a minha Roda Viva

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ex-citações


Quando uma pessoa por mim é citada
É porque mal consigo conter a excitação.
Como é que alguém que de mim não sabe nada
Pode explicar com tanta exatidão?

Anseios, inseguranças, planos, acontecimentos
-Todos trancados dentro de cadernos-cadeado -
VONTADES que sequer minha sombra se dá conta
São contadas, no final das contas!

Histórias às minhas entrançadas, confesso, me amedrontam.
Não porque tenho frio se descoberta
Se descoberta,  d e s c o n f i a d a.

É mais por essas lágrimas que me largam
E ainda assim me sinto
Dissecada

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Nero infl-amável


AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Um dream de homem, 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Carta a Voz que Caminha


 Se na ponta dos pés
Com ele caminho,
É que na ponta da língua
Levo palavra
...e carinho.

sábado, 3 de setembro de 2011

O trágico da foz


 Dizem que, com a transposição, o Velho Chico vai secar. Tenho minhas dúvidas. Não é nada molhado em verdades ambientalistas, tá mais prum palpite, ledo engano. Pois pra mim, mesmo que canos levem as doces águas para outros cantos. Mesmo que danos levem as doces águas para outros donos – insanos ambiciosos que sequer compreendem o curso das almas- os ribeirinhos, como sempre à margem, sentindo o abandono e saudosos, plantarão.

Ao som de mudas e lembrando-se de suas raízes, plantarão tristes sementes de pranto. Vão regá-las até que atinjam aquele tamanho de velhas memórias do Velho Chico...
E aí, quando num passe de miragem isso acontecer, aí eu quero ver os donos nas fotos verem os donos da foz, de fato. 

Quero ver comportarem o povo cano-ando na trasbordação.
 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sonhos de uma noite de Inferno


Hoje eu acordei e voltei a dormir por várias e várias vezes. 
Quando escutei uma voz qualquer e finalmente me levantei, foi a vez de a ficha cair:
 “Ai! Saiam debaixo dos meus cabelos!”
Na noite passada eu dormi bem em cima de um formigueiro.
 De sonhos -e pesadelos.
APRECIEM SEM MODERAÇÃO!