SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

sábado, 3 de setembro de 2011

O trágico da foz


 Dizem que, com a transposição, o Velho Chico vai secar. Tenho minhas dúvidas. Não é nada molhado em verdades ambientalistas, tá mais prum palpite, ledo engano. Pois pra mim, mesmo que canos levem as doces águas para outros cantos. Mesmo que danos levem as doces águas para outros donos – insanos ambiciosos que sequer compreendem o curso das almas- os ribeirinhos, como sempre à margem, sentindo o abandono e saudosos, plantarão.

Ao som de mudas e lembrando-se de suas raízes, plantarão tristes sementes de pranto. Vão regá-las até que atinjam aquele tamanho de velhas memórias do Velho Chico...
E aí, quando num passe de miragem isso acontecer, aí eu quero ver os donos nas fotos verem os donos da foz, de fato. 

Quero ver comportarem o povo cano-ando na trasbordação.
 

Um comentário:

  1. Há outros dias que não têm chegado ainda,
    que estão fazendo-se
    como o pão ou as cadeiras ou o produto
    das farmácias ou das oficinas
    - há fábricas de dias que virão -
    existem artesãos da alma
    que levantam e pesam e preparam
    certos dias amargos ou preciosos
    que de repente chegam à porta
    para premiar-nos
    com uma laranja
    ou assassinar-nos de imediato.

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