SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

domingo, 30 de outubro de 2011

E o vento elevou


Depois de mais um pesar, a leve Pena pediu ao Vento:
-Me leve.
O Vento, sem nenhum lamento, respondeu:
 -Seria uma pena te levar mais ainda. Sem rumo, sem rima. Nem rosas, nem risos... Pensa!
             -Por amor...
             -Pena, desaparecerias como línguas à míngua!
-Que diferença faz? Já estou Cheia, quero mais chegar Nova! Cansei de enlou-Crescente! Amo mesmo é Me guiar.
Então, ainda que com um sopro no coração, o som da brisa vibrou num tom de brasa:
-No lugar, eu te e-levo. Desta vez, ao luar certo.



terça-feira, 25 de outubro de 2011

CIDA não tem mais idaDE pra isso


-Onde está esta LEVADA?
-Calma que JA-TI-Ú-CAminho indico:
     -> Se ela foi rezar pela CRUZ DAS ALMAS, passou pela AVENIDA DA PAZ e deve estar com LOURDES lá na GRUTA dela.
     ->Se não, deve ter ido jogar dominó no TABULEIRO DOS MARTINS.
     ->Sabe se ela tava com fome? Pode ter ido chupar MANGA-À-BEIRA da LAGOA MUNDAÚ.
     -> Sabe se ela tava com sede? Pode tá no BEBEDOURO.
     -> AMÉLIA recebeu alguma ROSA? Se sim, certamente tem jarros a aguar, tá em JARAGUÁ!
     ->JACINTINHO nasceu? BENEDITO seja BENTES que ela foi VERGELssica!
     -> O CLIMA tá BOM? Então saiu com STELLA pros MARIS da PONTA VERDE!
     -> Se não foi à padaria, deve ter ido ver aquele “pão” de FRANCÊS na casa da PRAIA dele.
     -> Não tá com ele? Meus Deus, então suba o FAROL que ele deve tá levando uma PONTA da GROSSA!
Aí a mãe se pronuncia:
-MIRA, amaNTE?! Mentira e vá ver se ela tá pintando o 7 das ILHAS.
-Calma, Cida, achei! – e continua: Amélia tá no passeio. E fala com Amélia:
-Amélia, tua mãe tá JANGADA com você!
-Me passa o celular.
-Mãe, vim mostrar PrA JUÇARA que aqui tem praia até com piscina!
-Jura? Não faça graça que sua cara de pau não esconde os RAMOS em que você está com o GRACILIANO!
-EU ESTÁ QUE O GOMES?! Mãe, não tenho tempo pra prosa, depois a gente con-versa- e desliga a chamada.
-Ju e tia Mira, inventem uma mentira polida que eu tô lascada!

E o francês que da situação só entendeu os lugares, finalmente se manifestou:
-Trés interessante, Ju! Tudo faz jus ao nome!  Não é à toa que com mar, céu e sol assim, aqui só podia ser... MA-CE-IÓ! – e sorri abobalhado.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Jogos viciais

-Jura? Aconteceu o mesmo com o meu!  De tanto jogar tíbia, meu irmão atrofiou o fêmur.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Bilhete de geladeira

Amigo(a),
Você é tecido que traça não rói, é tinta que com o tempo não desbota, é saudade costurada nessa colcha. Mas se, por um acaso no decorrer de nossas vidas, meus amigos, essa colcha ficar larga demais (de um jeito que a gente vai ter que costurá-la com a Linha do Equador!).
Aí, meus amiguinhos, saudosos vocês se lembrem: para os amigos o tamanho da saudade é a mesma distância que aproxima...
Fico muito feliz de poder me esquentar com o afeto de vocês!
Vocês estão todos bordados no meu coração. ^^


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu não quero saber


O que eu tenho a ver?
Eu estou pouco me lixando!
Pouco me importa.
Tô nem aí...

Eu não quero saber
Se dormiu mal
Se se formou,
Se foi promovido
Se saiu do hospital
Se continua a dor no ouvido.

Se a calça apertou
Se te mandaram pro inferno
Pro raio que o parta
Pra catar coquinho
Se se lembrou de mim.

Se tá lá na China
Se voltou de viagem
Se se mudou
Bem pro meu bairro,
Se aprendeu a chorar.

Se tá lá na esquina
Se o carro quebrou
Se tá no interfone
Se trouxe livro
Ou pretexto.

Pouco me importa
Se aprendeu a sorrir
Se não tem onde ficar
Se tá batendo na porta
Se essa é a canção
Se é a nossa sina
Se é a sua mão.

Se esse é você
Que tá no meu andar
Eu não quero saber!
Eu só quero saber...
-Se você aprendeu a amar.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Gemada


A língua francesa é tão sedutora que até quando uma pessoa diz que ama, ela J’aime.
 ;D

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O dia em que virei cabra-macho


Escrever é esquecer. Esquecer que em algum momento vai aparecer alguém que vai ler o que escrevo e ao mesmo tempo vai achar que também está ME lendo.
Escrever é esquecer. Esquecer que talvez o audacioso do outro lado possa realmente estar me lendo! E agora, mulher?
Escrever é esquecer. Menos por aquilo que pelo arrependimento: assim que escrevo, quero junto esquecer minha escritura. Devo ter uma espécie de depressão pós-parto. Antes que ela se volte contra mim, abandono ou não a criatura?

Pra ser sincera, eu morro de vergonha do que escrevo. É por isso, pronto falei.
É que eu sou feito aquelas crianças que se escondem por detrás da perna dos pais ao ver o desconhecido: você, leitor, estrangeiro.
Pra mim, meu feito mais-que-perfeito é esconder o rosto entre as mãos se alguém se atreve a tirar de mim uma foto, pois só permito que tenham uma vaga idéia de mim. Questão de remoto controle, já que, literalmente, não tenho cara nem coragem pra me assumir. (Tente tirar o ás do embaralhado).
O que esperar de alguém que nunca é por completo? Me completa!
Enfim, também tenho um lado de menina tímida que tem medo de encarar a realidade de um olhar desconcertante. Tem preconceito com isso? Hum...já é imperativo esse meu inteperismo físico-químico-culinário, tempero à desgosto...

Por essa minha gula de engolir meus filhotes, ás vezes creio que Cronos se encarnou em mim! Mas me entendam, eu morro de vergonha do que escrevo. Simplesmente porque tenho vergonha de demonstrar meu excesso de sentimento.
Esse monstro!
Porque excesso de sentimento só deve ser mostrado quando se tem a certeza de que o outro está envolvido (Já me ensinaram professores das fórmulas, mestres dos afagos afogados).
Mas... Como não arriscar saber se o outro se tornará envolvido só depois que o sentimento for demonstrado? Pra mim até faz sentido:
des-envolvido-->desenvolvimento-->envolvido!

Mas eu não quero mais escrever aqui.
Depois desse desconcerto todo eu vou Break up!
É muito mais fácil ser egoísta e guardar tudo pra mim.
É muito mais fácil ser orgulhosa, não me arriscar e fingir que não me sensibilizo.
É muito mais fácil ter a frieza de homem de ferro: ser máquina, programada, previsível.
Quase casca de cascavel invisível.

“De hoje em diante eu vou modificar o meu modo de vida”: vou virar cabra-macho.
Porque homem não chora e eu não escrevo.
  
APRECIEM SEM MODERAÇÃO!