SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O dia em que virei cabra-macho


Escrever é esquecer. Esquecer que em algum momento vai aparecer alguém que vai ler o que escrevo e ao mesmo tempo vai achar que também está ME lendo.
Escrever é esquecer. Esquecer que talvez o audacioso do outro lado possa realmente estar me lendo! E agora, mulher?
Escrever é esquecer. Menos por aquilo que pelo arrependimento: assim que escrevo, quero junto esquecer minha escritura. Devo ter uma espécie de depressão pós-parto. Antes que ela se volte contra mim, abandono ou não a criatura?

Pra ser sincera, eu morro de vergonha do que escrevo. É por isso, pronto falei.
É que eu sou feito aquelas crianças que se escondem por detrás da perna dos pais ao ver o desconhecido: você, leitor, estrangeiro.
Pra mim, meu feito mais-que-perfeito é esconder o rosto entre as mãos se alguém se atreve a tirar de mim uma foto, pois só permito que tenham uma vaga idéia de mim. Questão de remoto controle, já que, literalmente, não tenho cara nem coragem pra me assumir. (Tente tirar o ás do embaralhado).
O que esperar de alguém que nunca é por completo? Me completa!
Enfim, também tenho um lado de menina tímida que tem medo de encarar a realidade de um olhar desconcertante. Tem preconceito com isso? Hum...já é imperativo esse meu inteperismo físico-químico-culinário, tempero à desgosto...

Por essa minha gula de engolir meus filhotes, ás vezes creio que Cronos se encarnou em mim! Mas me entendam, eu morro de vergonha do que escrevo. Simplesmente porque tenho vergonha de demonstrar meu excesso de sentimento.
Esse monstro!
Porque excesso de sentimento só deve ser mostrado quando se tem a certeza de que o outro está envolvido (Já me ensinaram professores das fórmulas, mestres dos afagos afogados).
Mas... Como não arriscar saber se o outro se tornará envolvido só depois que o sentimento for demonstrado? Pra mim até faz sentido:
des-envolvido-->desenvolvimento-->envolvido!

Mas eu não quero mais escrever aqui.
Depois desse desconcerto todo eu vou Break up!
É muito mais fácil ser egoísta e guardar tudo pra mim.
É muito mais fácil ser orgulhosa, não me arriscar e fingir que não me sensibilizo.
É muito mais fácil ter a frieza de homem de ferro: ser máquina, programada, previsível.
Quase casca de cascavel invisível.

“De hoje em diante eu vou modificar o meu modo de vida”: vou virar cabra-macho.
Porque homem não chora e eu não escrevo.
  

2 comentários:

  1. Você não escreve? ¬¬ Pode ir parando! ¬¬ Sabe, certa feita uma pequena pessoa disse: você é eternamente responsável por quem cativa. Logo, vire-se nos 30 !

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  2. Afinal, cativou, tá cativado.

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