Escrever é esquecer. Esquecer que
em algum momento vai aparecer alguém que vai ler o que escrevo e ao mesmo tempo
vai achar que também está ME lendo.
Escrever é esquecer. Esquecer que talvez o
audacioso do outro lado possa realmente estar me lendo! E agora, mulher?
Escrever é esquecer. Menos por
aquilo que pelo arrependimento: assim que escrevo, quero junto esquecer minha
escritura. Devo ter uma espécie de depressão pós-parto. Antes que ela se volte
contra mim, abandono ou não a criatura?
Pra ser sincera, eu morro de
vergonha do que escrevo. É por isso, pronto falei.
É que eu sou feito aquelas crianças
que se escondem por detrás da perna dos pais ao ver o desconhecido: você,
leitor, estrangeiro.
Pra mim, meu feito mais-que-perfeito
é esconder o rosto entre as mãos se alguém se atreve a tirar de mim uma foto,
pois só permito que tenham uma vaga
idéia de mim. Questão de remoto controle, já que, literalmente, não tenho cara
nem coragem pra me assumir. (Tente tirar o ás do embaralhado).
O que esperar de alguém que nunca
é por completo? Me completa!
Enfim, também tenho um lado de menina tímida
que tem medo de encarar a realidade de um olhar desconcertante. Tem preconceito
com isso? Hum...já é imperativo esse meu inteperismo físico-químico-culinário,
tempero à desgosto...
Por essa minha gula de engolir
meus filhotes, ás vezes creio que Cronos se encarnou em mim! Mas me entendam, eu
morro de vergonha do que escrevo. Simplesmente
porque tenho vergonha de demonstrar meu excesso de sentimento.
Esse monstro!
Porque excesso de sentimento só deve
ser mostrado quando se tem a certeza de que o outro está envolvido (Já me
ensinaram professores das fórmulas, mestres dos afagos afogados).
Mas... Como não arriscar saber se
o outro se tornará envolvido só depois
que o sentimento for demonstrado? Pra mim até faz sentido:
des-envolvido-->desenvolvimento-->envolvido!
Mas eu não quero mais escrever
aqui.
Depois desse desconcerto
todo eu vou Break up!
É muito mais fácil ser egoísta e
guardar tudo pra mim.
É muito mais fácil ser orgulhosa,
não me arriscar e fingir que não me sensibilizo.
É muito mais fácil ter a frieza
de homem de ferro: ser máquina, programada, previsível.
Quase casca de cascavel
invisível.
“De hoje em diante eu vou modificar o meu modo de vida”: vou
virar cabra-macho.
Porque homem não
chora e eu não escrevo.
Você não escreve? ¬¬ Pode ir parando! ¬¬ Sabe, certa feita uma pequena pessoa disse: você é eternamente responsável por quem cativa. Logo, vire-se nos 30 !
ResponderExcluirAfinal, cativou, tá cativado.
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