SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

domingo, 25 de março de 2012

Porque faz tempo que eu não escrevo de verdade


3 comentários:

  1. As vezes nos encontramos em situações onde achamos não ter saída ou que a tristeza não tem fim. Nesses momentos, é muito fácil passar tudo pro papel. Afinal de contas, só pensamos nela.

    As vezes, de bem com a vida, não perdemos tempo pensando sobre nossa felicidade. Preferimos curtir intensamente esse momento como se tivéssemos medo que tudo acabasse num piscar de olhos.

    Vinicius de Moraes dizia que a tristeza não tem fim mas a felicidade sim.

    Vivemos de forma tão intensa a vida que esquecemos que podemos escrevê-las felizes também. Só paramos para refletir nos momentos de ócio.

    Para alguns, o pensamento puro, crú e inspirador só chega nos momentos mais difíceis.

    Talvez alguns pensem que a arte - como inspiração - não vem da alegria e sim da tristeza, dos momentos de dúvida e questionamento....

    Somos tão egoístas.

    Eles esquecem que existe a arte de ser feliz.

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  2. A arte de ser feliz

    Houve um tempo em que minha janela se abria
    sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
    Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
    Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
    e o jardim parecia morto.
    Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
    e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
    Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
    E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
    Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
    Outras vezes encontro nuvens espessas.
    Avisto crianças que vão para a escola.
    Pardais que pulam pelo muro.
    Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
    Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
    Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
    Ás vezes, um galo canta.
    Às vezes, um avião passa.
    Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
    E eu me sinto completamente feliz.
    Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
    que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
    outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
    finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

    Cecília Meireles

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  3. Nunca mais escreveu, poxa! =/

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APRECIEM SEM MODERAÇÃO!