Nunca pensei que um dia eu fosse apontar isso. No entanto, mais uma vez aqui estou eu: “essa metamorfose ambulante”. E eu prefiro ser assim.
Bom, lá vai!
Assim como uma planta precisa de hidrogênio, oxigênio, carbono, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, boro, cloro, ferro, magnésio, zinco, cobre, molibidên, níquel e uma boa incidência de fótons para garantir seu crescimento; as palavras têm também de ser nutridas. Elas precisam crescer fortes e saudáveis! =D Para isso, nada melhor que muitas refeições à base de muita leitura. Tudo para enriquecer o vocabulário, garantindo o pleno desenvolvimento de frases de sentido claro, bem conectadas. Afinal, para que servem os radicais livres? (=P)
Contudo, somente leitura não é suficiente para suprir as necessidades básicas de um texto. Digo isso por experiência própria.
Durante um tempo, eu me agoniava – no sentido fidedigno do vocábulo, pois não sabia a origem (a+gonia). Só sabia que eu sentia um formigamento nos dedos, uma sede insaciável – como a que a areia deve sentir quando as primeiras gotas de chuva evaporam ainda no ar desértico. Uma vontade de pôr pra fora parte, ao menos um centímetro quadrado do montante de círculo cromático de idéias entrelaçadas. Era quase um ninho, sendo que a ave-mãe (eu) não deixava os filhotinhos alçarem vôo nas asas da imaginação. Talvez fosse medo de algum dos que queriam “meter a cara” meter a cara num obstáculo qualquer (uma crítica, por exemplo) e “quebrar a cara”, se machucar. A matriarca era uma supermãe, era natural a tal super-proteção. Enfim, eu guardava pra mim meus devaneios, a sete chaves. Sendo que os sete cadeados do diário estavam bem trancados. As chaves?Jogadas por aí a fora. Esquecidas, enterradas em algum lugar, à espera de alguém encontrá-las, abrir o diário - em outra língua- e tentar desvendar os “mistérios”, as charadas ali anotadas. Era praticamente a Pedra da Roseta ou um mapa de tesouro de faraós egípcios em que erros de interpretação não poderiam ser admitidos. Caso contrário: morte na certa, enclausurado em meio a quatros paredes - ou melhor, três, visto que é uma pirâmide. Era uma estrada sem placas de aviso. Perigo! Carro na contramão e um caminhão à vista numa pista sem possibilidade de desvio. Muitas miragens, mas nenhuma pista. E muitos outros eras de outras eras.
Bom, após esse longo parágrafo de pura piração, quer dizer, empolgação. Volto ao contexto: textos precisam de um tempero especial que não são simplesmente encontrados em qualquer leitura que se faça. Pincelemos a pintura do que quero dizer:
Os calouros de primeira viagem ao planeta chamado cozinha (haha) não conseguem entender o tempero mais clichê que os veteranos tanto dizem: o prazer. É difícil ter prazer em meio aquele calor todo (por mais que em outros sentidos seja fácil – ops! haha). O que é posto em postas, em pratos limpos é: é preciso carinho. Gosto em fazer aquilo.
De maneira análoga, para se produzir um texto, faz-se necessário gosto. Ao menos você mesmo tem de gostar! Já viu alguém provar da própria comida e não gostar? (Tá, isso já aconteceu comigo- provei do meu próprio veneno (=P –droga, não era pra eu ter revelado), mas relevemos ahora).
Porém, para o desprazer, a combinação “leitura e gosto” ainda não são suficientes. Creio que o “elemento x”, o “x da questão” tem um nome bastante buscado (nada rebuscado), mas a dose na natureza ainda não é de bom tamanho – ou então as pessoas vão procurar em locais errados (livros mais vendidos, romances mamão com açúcar). Feito os mineradores iam para as Minas Gerais ou a Serra dos Carajás e não encontravam nada além de pedregulhos ou pepita.
Bom, finalmente!
O toque especial está na i-n-s-p-i-r-a-ç-ã-o.
Tantas vezes eu quis criar textos do nada. Olhava pro papel, do papel pra caneta, eles se entreolhavam. Meu punho os punha para trabalhar e, forçados, sequer diziam “de nada” – Também! Depois desse tipo de obrigado!
Detesto ter de forçá-los, os coitadinhos.
Então, assim como as sacadas vão atrás do comediante, o tema praticamente corre atrás dos prosadores – ainda que principiantes. O assunto escolhido dentre outros tem um motivo. (Bem como um escravo era primeiro vendido que outro com algum sentido - mesmo que fossem os dentes). Só aí já surge uma atmosfera espacial. O vácuo está prestes a ser preenchido. Com carinho, cuidado e dedicação poderá vir a ser uma coisa que preste. É a inspiração que vai dar o ar para impulsionar (a plenos pulmões, com todo o gás!) as pulsações. Iniciará nesse momento a contagem regressiva do retorno do foguete. Sçlfjsçfjsçjfjs
Um novo ser sideral se abre para conhecer o planeta: a aspiração, agora exteriorizada sob forma (corpo) de palavras. Mas pra elas é um mundo novo. Não podem ser aterrorizadas, portanto. Têm de se sentir bem cuidadas. Nunca pressionadas. Flores podadas para produzir carnudos frutos.
Falando em fruto, se eu continuar devaneando, o fruto da minha imaginação pode passar da madurice. Então, para ele não apodrecer, cair e se misturar ao húmus das minhocas; a ele reservo outro destino:
Qualquer texto não pode ceder à tentação industrial!
Cai a qualidade.
Vejam Jorge Amado, Roberto Carlos... Quando eles ficaram com o compromisso, a obrigação de sempre trazer uma nova obra/composição, a criatividade não foi usada de maneira semelhante a qual estávamos acostumados. E apesar de “José Newton já dizia: se subiu tem que descer!” A gente pode ao menos tentar manter um padrão, sem tanto desvio padrão =P Caso contrário, perde-se o valor de arte, ou seja, uma satisfação própria do autor, subjetiva, impessoal, cada qual com a sua interpretação de acordo com a visão de mundo de cada um. Não é legal transfigurar para folhetins! Mesmo porque eles são próprios da literatura mercantilizada que a ascensão da burguesia carregou consigo!
Blogo pra suprir uma vontade, não uma obrigação. O que quero, do jeito que eu quero – com erros de gramática, viagens intergalácticas desconexas que não chegam a lugar nenhum- quando quero (mesmo que outro interfira, sem querer, na minha escolha. Qual terá sido o motivo de a freqüência aqui tenha aumentado repentinamente? Ops! Haha Só o mês outubro tem quase a mesma quantidade de blogadas que do resto do ano =D).
Certo, após esse imenso roda arrodeio , “roda gigante, roda moinho, roda pião”, retomo o que me fez vir dar a luz a esta criatura que por vós é lida.
Acho que dá pra perceber que guardo um profundo respeito e admiração pelas palavras. No entanto, é de se admirar que elas me desapontaram. Sério.
Uma explicação plausível é a de que “não só de palavras vive um homem, mas do pão de Deus” =P. Do que adianta você dizer que vai chegar lá e vai saltar um duplo twist carpado e na hora do agora ou nunca...kuenkuenkuenkueeenn. Mesma coisa como o meu lindo loveboff que antes chegou a escrever e-mails encantadores, mas que (na minha opinião) não correspondiam quando ao vivo e amores. Eu cazuzeava pra mim mesma: “Tuas idéias não correspondem aos fatos...” haha =*
...
Passando adiante para a principal justificativa quanto à ineficiência das palavras: simplesmente está sendo muito comum eu não tê-las sequer na ponta da língua! Pra ser fiel, isso só ocorre quando pretendo expressar algum sentimento.
Mas não vejo isso como uma coisa ruim. Assim como leitura solitária não basta para um bom texto, somente palavras também são insuficientes para um bom afeto. Apenas existem momentos mais-que-perfeitos em que elas são absolutamente desnecessárias. Imaginem você e ele (ela) a sós, ambos envoltos em braços enroscados, uma troca de olhares apaixonados se mistura à ternura, o perfume do outro se espalha graças à uma brisa suave que sopra amigavelmente, ela(brisa) faz uma leve cosquinha, os dois sorriem...
É uma energia tão intensa que as palavras são fracas!
Pensando bem... “Pra que falar? Basta sentir!” (ao tom de novela mexicana =P) Só isso. Não precisa de mais nada. =D
Seria paz? Felicidade? Amor?
Quiçá. (Kiss ahhhh =D)
Talvez.
Não sei.
Não que seu esteja imitando Sócrates, mas é que
Nunca senti isso antes.
Hum... hj eu explico pra você do que se trata!!
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