SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Morena dos lábios de mel


Pretendia escrever aqui o futuro texto que darei à luz. Ele se tratará sobre mim. Necessidade de universitária. Porém, olhando por um lado, eu mesma me olho enviesado. A questão, caras, é que achei um tanto pretensão de minha parte dedicar um post inteiro a respeito de “quem eu sou” num momento o qual eu nunca mais dei as caras por aqui.
Bom, queria agora escrever algo que comovesse. Que emocionasse. Causasse impacto, admiração. Impressionasse. Não seriam esses os objetivos das palavras? E depois você, nas entrelinhas, percebesse que ninguém mais poderia ter sido a água da fonte que eu bebera para me inspirar. E rejuvenescer.
Eu estaria em sintonia comigo mesma se eu fosse capaz de provocar em você um sentimento que te fizesse flutuar. Novamente, pegar carona nas entrelinhas e ascender às estrelas. Brilhantes, acesas, amantes. De novo, te fazer se sentir mais novo. Um feto nadando  nu no útero materno. Um bebê sendo aninhado no colo, descansando ao som da melhor música de ninar de todas: os batimentos do coração da protetora. Ou até alguém doente, ardente... de febre que percebe que a CAMAcia não é mais um carma, não é mais um dos seus delírios e sim, um confortável alívio.
 Mas como despertar tudo isso se tudo são linhas nada mais que linhas? Um pouco mais que linhas, novelo. Sem escrever deste enredo um emaranhado de nó, uma novela, apelativa, piegas. Blah! Como despertar meu desejo se meus dedos estão dormentes? Tanto tempo que não escrevo... E agora, mulher?
Bom, professores não me faltam. Deus abençoe o Chico Buarque, o Carlos Drumond de Andrade. Deus abençoe essa menina que não quebrou a cara enquanto quebrava a casca, bem-te-vi saindo do ovo. Poderia ter sido como o quadro de Salvador Dali, o que um homem tenta sair dali de dentro do mundo, quase que sufocado, claustrofóbico. Surreal. Mas não...
Eu bem te vi!
Por essa emoção, hoje quero cuidar de ti. Balançar minhas pétalas para o pólen cair. E dele fazer mel. O meu mel. Quem sabe assim, meu bem querer, você não encontra a cura?
Prova da minha doçura!

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