SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cada mania com seu louco

Era mais um sábado que eu tinha tirado pra fazer a feira do mês. Assim que acordei já fui logo vendo o que tava faltando e, ao invés de arrumar a cama, arrumei foi um pretexto pra fazer aquilo que é minha compulsão: listas!


Sequer me lembro exatamente quando isso começou, só sei que no carro tocava aquele artista que a diarista adora (qual é mesmo o nome?) ah Amado Batista (pra mim tá mais pra odiado), no sinal vermelho eu assistia ao pequeno malabarista derrubar seus malabares na pista, enquanto isso uma amiga tentava me explicar o danado do livro que ela tinha acabado de ler sobre governos nacionalistas e entreguistas e outra reclamava do arranhão no anel de ametista dado pelo namorado que é dentista. Aff esse povo perfeccionista!

Com tantos sufixos cruzando o meu caminho, vocês ainda precisam de alguma pista pra saber por que hoje tenho tara por lista? É lista de obrigações, lista de planos, lista de como realizar esses planos, lista de amigos pra sair, lista de “coisas que eu quero fazer que ninguém faria”, lista de qualidades, e como não poderia faltar, de defeitos também, lista de proparoxítonas, lista de polissílabos terminados em o, lista de palavras em outra língua, lista de como chocar as pessoas num churrasco- e como vocês podem perceber - lista de listas que eu já fiz!

Pois então foi a partir dali, naquele minuto daquele sinal, que tive motivo pra um dia ter participado de uma entrevista, que me transformou em capa de revista – mas minha identidade não vem ao caso. Tá bom, confesso, sou psicanaLISTA.

Enfim, nem sendo pessimista nem otimista, mas enxergando a realidade como ela é: a perspectiva de levantar cedo depois de uma semana exaustiva e ter que ir às compras no dia de folga é bem mais animadora quando sei que vou fazer mais uma lista de verduras, frutas, carnes, enlatados e porcarias.

Vocês me desculpem essa enorme introdução, mas é que ultimamente venho escutando muitas músicas que só depois de 2 minutos que o cantor balbucia alguns vocábulos. Parece desculpa esfarrapada, mas isso reflete na escrita. Sério.

Finalmente, a curta história que eu vou contar se refere a um ser atônito que eu tive a infelicidade de topar no mercado (não, não foi meu ex). Eu havia deixado o carrinho meio jogado entre a parte das bananas (mania de trânsito ou reminiscências do (ante)passado de primata?) quando percebi que aquilo estava atrapalhando um senhor passar. Após me desculpar, tinha acabado de virar as costas e ele me faz essa pergunta:

-Você está precisando de dinheiro?

Estranhando a razão daquilo, pois existem dias que saio bem mais descabelada do que aquele, emiti um ruído paleolítico:
-Hã?

Ele repetiu como se falasse com alguém que não é fluente em português:
-Você! Está precisando de dinheiro?
-Meu senhor, percebi que estava te atrapalhando e...
- Quem você pensa que é para me chamar de senhor? – o velho me interrompeu, ameaçador.
-Foi uma questão de respeit...

Agora arrastando palavra por palavra:
-Mas em que universo você está?
Caralho... se eu der uma cerveja será que ele me deixa em paz?- pensei, mas logo desisti porque o homem se afastou por si só. E eu lá fui pra boba da peste do pólo leste do “Ideal”.

Passou um tempo, fiz tudo que tinha pra fazer. Eu mal chegara na fila do caixa e a lástima veio dar uma de “mosca que pousou na minha sopa”...

-Voltei – informou e prosseguiu no típico tom etéreo- mas me diga, minha filha. O que você precisa? Sucesso? Fama? Poder?

Em meio à minha cara de nada mais do que p-a-s-m-a, ele não espera a resposta, apenas conclui com um “Não trilhe os caminhos os quais trilhei”. Vira as costas e sai cambaleante.
...

2 comentários:

  1. Sério que isso aconteceu? Parece filme :O

    Ah, estou sem sono, então nada melhor do que beber um pouco da sua inteligência no seu blog hahaha :P

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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