SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Parede de vidro



“Ai que vontade danada de fazer xixi!”- murmurou a adolescente sentada na poltrona da frente. Aquela ali que está se balançando. Com a mão esfregando a barriga.
                No mínimo, ela já deve ter feito inúmeras artimanhas com o objetivo de espantar a vontade. Acontece que simplesmente chega um momento o qual o psicológico não é páreo para o bio. Lógico.
                Ela já resolveu sudoku,olhou pro relógio, já dormiu, olhou pro relógio,já leu poemas, olhou pra paisagem,já pensou bobagem, olhou pro relógio mais uma vez...Ainda assim, ela não arreda o pé, ou melhor, a bunda.=P
                Entre saculejadas dignas de navio, um raro instante de calmaria. O ônibus adentrara algum centro urbano e como é característico desse ambiente, ficou parado num congestionamento. (Se fosse no campo seria COWgestionamento? =D haha)
                Quando a situação beirou o insustentável, insegurável, a bixiguenta se levantou para usar o curioso sanitário. (Provavelmente, aproveitando os minutos antes da tempestade.) Bom, não coloquei nenhuma câmera lá, mas homem viajante que sou, posso até imaginar o que ocorreu.
                Primeiramente, ela baixou as calças bastante ágil. Fez o que tinha de ser feito com certa dificuldade, suas pernas ossudas sustentando seu corpo longilíneo (“preciso entrar na academia”.)Segurando-se firme, observou o líquido aprisionado circular tal qual uma cauda de chocolate posta no sorvete. Enfim, tudo isso, pois o ônibus já recomeçara o movimento.  
                Pra ser sincero, não achei estranhas a quantidade e diversidade de olhares de uns pedestres à margem do coletivo. Olhares exasperados, surpresos, curiosos. Mãos na boca, boquiaberta, mãos nos olhos das crianças, mãos em máquinas fotográficas. Sorrisos maldosos, de desdém. Som “fiu fiu”, som gargalhante...
                A mocinha sai do salva-vidas sem sequer imaginar como foi atração e como foram os seus quinze minutos de fama. Pobrezinha...
                A questão é esta:
Na moral, qual o sentido em haver janela nos banheiros de ônibus?
;P

Nenhum comentário:

Postar um comentário

APRECIEM SEM MODERAÇÃO!