“Ai que vontade danada de fazer xixi!”- murmurou a
adolescente sentada na poltrona da frente. Aquela ali que está se balançando.
Com a mão esfregando a barriga.
No
mínimo, ela já deve ter feito inúmeras artimanhas com o objetivo de espantar a
vontade. Acontece que simplesmente chega um momento o qual o psicológico não é
páreo para o bio. Lógico.
Ela já
resolveu sudoku,olhou pro relógio, já dormiu, olhou pro relógio,já leu poemas,
olhou pra paisagem,já pensou bobagem, olhou pro relógio mais uma vez...Ainda
assim, ela não arreda o pé, ou melhor, a bunda.=P
Entre
saculejadas dignas de navio, um raro instante de calmaria. O ônibus adentrara
algum centro urbano e como é característico desse ambiente, ficou parado num
congestionamento. (Se fosse no campo seria COWgestionamento? =D haha)
Quando
a situação beirou o insustentável, insegurável, a bixiguenta se levantou para
usar o curioso sanitário. (Provavelmente, aproveitando os minutos antes da
tempestade.) Bom, não coloquei nenhuma câmera lá, mas homem viajante que sou,
posso até imaginar o que ocorreu.
Primeiramente,
ela baixou as calças bastante ágil. Fez o que tinha de ser feito com certa
dificuldade, suas pernas ossudas sustentando seu corpo longilíneo (“preciso
entrar na academia”.)Segurando-se firme, observou o líquido aprisionado
circular tal qual uma cauda de chocolate posta no sorvete. Enfim, tudo isso,
pois o ônibus já recomeçara o movimento.
Pra ser
sincero, não achei estranhas a quantidade e diversidade de olhares de uns
pedestres à margem do coletivo. Olhares exasperados, surpresos, curiosos. Mãos
na boca, boquiaberta, mãos nos olhos das crianças, mãos em máquinas
fotográficas. Sorrisos maldosos, de desdém. Som “fiu fiu”, som gargalhante...
A
mocinha sai do salva-vidas sem sequer imaginar como foi atração e como foram os
seus quinze minutos de fama. Pobrezinha...
A
questão é esta:
Na moral, qual o
sentido em haver janela nos banheiros de ônibus?
;P
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