SOLTANDO O VERBO

Sou o recheio
A essência do bolo sou eu quem assa
Sem receio de me queimar

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Era uma vez um crime num conto enfadonho


Eram duas da manhã, ela invade o apartamento. A porta estava aberta. Há muito já observara esse mau-hábito da família. Esforçando-se ao máximo para não fazer qualquer ruído, encostou a porta, aposentou os saltos com pena – ossos do ofício.
Andando vagarosamente na ponta dos pés, como se pisasse num campo minado, notou que todos da casa dormiam. Não seu um pio. Que tristeza, ela não podia miar.
            Prosseguiu. Percorreu os cômodos se despedindo de cinto e sutiã, afinal, era mais cômodo. Foi se despindo, queria que os donos da casa soubessem que ela estivera no corredor que todo dia a intrusa escuta a tia da única criança da casa reclamar: “Correr aqui não!”
A garota de vestido curto (não interfere tanto nos movimentos) lembra da cena do dia em que adentrou o aposento, a convite da dona, pela primeira vez no ano.
Sorriu orgulhosa do argumento do pirralho: “Mas aqui não é um corredor?” –haha
Esperta, a jovem esbelta, articulou com desenvoltura um argumento infantil “Por isso mesmo, meu anjinho, correr + cair = machucados = dor” =B
Por ser capaz de fazer com que o pivete fizesse o que os adultos queriam, a babá logo foi ganhando confiança dos patrões. Mal sabem eles agora, que ela está a sós com o tesouro deles (para as leitoras mais materialistas, tesouro é pronome do sobrinho deles mesmo.)
Mal sabem os “sabe-tudo” que a ignorante matuta que sai aos sábados para o forró agora futuca o armário do menino. Mais precisamente a porta que guarda cobertores, toalhas – e travesseiros.
Sutilmente e coberta de coragem de fêmea protetora de filhotes contra predadores, ela apalpa o objeto e se prepara para o ato. O grand finale da noite...
Com cautela, em câmera lenta, suas mãos ocupadas vão cada vez chegando mais perto da criança. Dá pra ver o peito em miniatura dele arfar, subir e descer preguiçosamente.
Pena que isso será interrompido.
Ela envolve a cabeça do menino...
Pela parte de trás ^^
-Juquinha, seu menino levado, outra vez com preguiça de pegar o travesseiro!
Ele balbucia um sonolento “valeu”
;P

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